Uma Trajetória de Êxito: Relato de candidato aprovado(14a.ed)
Nome do Candidato de Êxito: EVERSON CARLOS ROSSI
Cargo: PROCURADOR DO TRABALHO
Meu nome é Everson Carlos Rossi , tenho 43 anos e ocupo o cargo de Procurador do Trabalho. Sou casado e tenho três filhos, um de 19 anos outro de 17 e uma filha de 12 anos. Sempre residi em Campinas e atualmente estou lotado em Rio Branco-AC.
Sou formado em Direito, tendo concluído minha graduação em 1990. Antes de passar no concurso da carreira do Ministério Público, fui advogado militante, tendo exercido a advocacia por 17 anos. Além do mencionado concurso, fui aprovado para Procurador do Estado de Minas Gerais, mas não cheguei a assumir o cargo.
Passei no concurso de Procurador do Trabalho em julho deste ano (2009), tendo tomado posse no dia 10 de setembro último.
Iniciei a minha trajetória de preparação em 2002. Na realidade, comecei encarando este processo como uma reciclagem profissional, pois na labuta da advocacia nem sempre temos tempo para os estudos e a devida atualização. Nesta etapa inicial, fiz um curso preparatório que durou cerca de um ano e meio.
Montei vários planejamentos de estudos, considerando as matérias e conteúdos do edital. Mas sempre tive dificuldades com a sua execução, pois a rotina da vida de advogado muitas vezes me tirava da rota, diante das situações inesperadas e emergenciais.
Além do mencionado curso preparatório, fiz diversos outros. Alguns realizei em São Paulo, de modo que me deslocava de Campinas apenas para assistir aula. Não posso deixar de registrar que, destes cursos, houve um que teve enorme importância para a minha preparação, o qual desenvolvi no Fábio Monteiro de Barros, conduzido pelo Prof Homero Batista. Tive uma grande ajuda no referido curso, inclusive pela metodologia adotada, envolvendo a análise aprofundada da fundamentação das súmulas de jurisprudência.
Também tive uma experiência muito rico e produtiva com o estudo em grupo. Nós éramos cinco e fizemos uma divisão de livros a serem resumidos, de modo que fazíamos a troca de resumos, experiências, impressões e conceitos. Deste grupo, quatro já passaram para a Magistratura ou Ministério Público, sendo que somente uma pessoa ainda não passou, mas seguramente logo será aprovada.
Tinha o hábito de estudar no meu escritório ou em casa. Diferentemente do que ocorre com muitos candidatos, considero que minha casa consistia num ambiente adequado aos estudos. Geralmente durante a semana estudava das 05:00 às 10:00, pois após o referido horário entrava na rotina do escritório de advocacia, inclusive tendo a minha atenção consumida por diversos problemas. No final de semana estudava mais umas 15 horas, o que totalizava cerca de 40 horas por semana.
Uma das principais dificuldades que tive foi conciliar os estudos com a advocacia.Trata-se de uma atividade que nos consome bastante, não apenas na execução das tarefas, mas também pelo desgaste mental decorrente das cobranças e dos problemas que exigem solução. Além disto, como era um profissional liberal e ao mesmo tempo pai de família, tinha a preocupação e a angústia de ter que contar com o dinheiro necessário a pagar as contas no final do mês.
Ao longo da minha trajetória de candidato, também passei por diversos momentos de desânimo, e com uma razoável intensidade. As reprovações sempre foram os grandes fatores de desânimo. Neste sentido, dentre estas, tive a dura e difícil experiência de ser reprovado na prova oral do concurso de Juiz. Antes de chegar à prova oral, o candidato precisa ser aprovado em três etapas: prova objetiva, prova dissertativa e prova de sentença. Eu havia passado por todas estas e fui reprovado na prova oral.
Não foi fácil. Minha esposa chegou a procurar um psicólogo para falar da minha situação. Mas a minha atitude era, logo em seguida, focar no meu trabalho. Passados três ou quatro dias, já tinha superado. Eu tenho uma amiga que, diante das reprovações, passava a estudar mais, até para esquecer aquela experiência negativa. Inclusive, ao ouvir o relato sobre a minha atitude, o psicólogo disse que estava tudo certo comigo.
Outro aspecto que gerava algum desânimo era o fato de que, paralelamente à preparação, minha atividade de advogado se ampliava, surgindo novas oportunidades e ganhando mais dinheiro, o que implicava numa certa dúvida sobre valer a pena ou não ir para a carreira pública.
Foi algo impressionante. Quanto mais estudava, mais seguro me sentia como advogado, bem como passei a gozar de mais respeito e proximidade com os juízes. Para completar, diante de tudo isto, outros advogados começavam a me procurar para firmar parcerias, percebendo a minha capacidade de construir argumentos e soluções nos processos. Neste sentido, para aqueles que não vão seguir carreira pública e querem advogar, fica o meu conselho: estudem!
Cheguei a pensar que não passaria. Mas nestes momentos a atitude que neutralizava tal sentimento era estudar.
Soube da notícia da aprovação por meio de um telefonema de um amigo, o qual me ligou às 06:30, pois tinha visto meu nome na lista de aprovados, publicada no Diário Oficial. Imediatamente fui acordar meus filhos e minha esposa. Estava tomado por um sentimento de alegria e euforia! Foi uma das maiores alegrias que senti na minha vida. É indescritível. Trata-se da realização de um sonho. Até hoje, as vezes me pego pensando que é tudo um sonho!
Para comemorar fiz várias festas com grupos de amigos diferentes. Fiz uma festa para os amigos do futebol, outra para os amigos advogados, outra para os familiares e outra para os amigos que faziam parte do meu grupo de estudo. Uma destas pessoas, que já estava aprovada e empossada, atuando no Rio de Janeiro, veio só para a festa.
Quanto aos conselhos aos candidatos, tenho duas principais recomendações. A primeira consiste no estudo da jurisprudência. A leitura de acórdãos, principalmente do STF, consiste quase que numa aula, pois geralmente a fundamentação pode proporcionar uma grande contribuição ao candidato. A segunda envolve a importância de perseverar. O candidato precisa entender, por um lado, que as reprovações são naturais e ocorrem com todos os candidatos de êxito. Por outro lado, os aprovados não são pessoas fora do normal em termos de inteligência, são pessoas como todo mundo. São pessoas que apenas se mantiveram empenhadas nos estudos em busca da aprovação.
Sucesso aos candidatos leitores do Blog do Prof Rogerio!!!
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