Saiu o Edital! Como estudar para o Concurso Público?

Saiu o edital do concurso público esperado! A prova se aproxima! A pergunta que se estabelece na cabeça de muitos candidatos é a seguinte: o que estudar? Como estudar? Por onde estudar? Como aproveitar o tempo até a data da prova? O que o tempo disponível permite fazer?

Seguramente, a esta altura, muitos candidatos, como por exemplo os que ambicionam o concurso público do MPU, estão se fazendo as referidas perguntas.

A tentativa de colaborar com o alcance das respostas às perguntas levantadas é o objetivo principal do presente texto. Aliás, a intenção consiste não apenas em auxiliar os candidatos na situação mencionada, mas também complementar o texto anteriormente publicado, no qual havia tratado do aparente conflito entre a lei seca e a doutrina no estudo das matérias jurídicas (Doutrina x Lei Seca – Parte II), com o foco principal voltado à realização de provas objetivas em concursos públicos.

Neste sentido, a preocupação do texto ora desenvolvido consiste na abordagem do tema da revisão estratégica, mas também na perspectiva do enfrentamento das provas objetivas. E no caso, estamos trabalhando com a premissa de que o candidato já teria contado com algum  avanço nos estudos do conjunto de informações e conhecimentos definidos como meta na preparação para o concurso público almejado.

Para aqueles que ainda não terminaram o estudo das matérias e conteúdos correspondentes ao concurso público pretendido, sugiro a leitura do texto Estudo Estratégico e Sistematizado (2ª Lição da Teoria Geral do Tuctor), o qual trata exatamente do tema sobre o que estudar, para aqueles que ainda não concluíram o estudo do que foi estabelecido. Inclusive, a definição do que estudar, principalmente se já foi publicado o edital, há previsão da data de prova e todo o programa eleito ainda não foi enfrentado, trata-se efetivamente de uma questão estratégica e de grande relevância para a busca da aprovação, o que foi objeto da abordagem do texto mencionado.

Mas quanto ao tema do presente post, ou seja, a revisão estratégica, não tenho dúvida de que consiste numa atitude e cuidado importante para o candidato que está em vias de fazer a prova, ou com a data desta já definida. Esta preocupação também deve atingir aquele que vem enfrentando dificuldades com a obtenção de resultados satisfatórios em provas objetivas, principalmente se já concluiu o estudo do programa estabelecido e se considera preparado para o enfrentamento de questões dissertativas.

Registro, a título de esclarecimento, que a presente abordagem conta com a mobilização de elementos empíricos relacionados ao tema, bem como de conceitos cientificamente desenvolvidos. Ou seja, as ponderações que serão apresentadas foram estabelecidas a partir da minha experiência de candidato – com as dificuldades inerentes a qualquer candidato que alcança o êxito pretendido em termos de concurso público, considerando o que fazia e o que não fazia, o que entendo que tenha sido eficiente e o que entendo como não eficiente, bem como adotando algumas construções dos campos do conhecimento voltados à aprendizagem humana, em função dos estudos e pesquisas que venho desenvolvendo, com o objetivo de otimização dos processos cognitivos na busca da aprovação.

Assim, a idéia é que, por um lado, o candidato procure trabalhar de forma estratégica e, por outro lado, trabalhe com a mobilização das memórias de curto e longo prazo.

Registro que há uma unanimidade, no âmbito das ciências voltadas ao estudo da cognição humana e da aprendizagem, no sentido de que temos as duas mencionadas modalidades de memória. Inclusive nem sempre houve esta compreensão. Os estudos da neurociência chegaram a tal conclusão por volta da década de 1960, a partir da verificação de que pacientes com lesões em determinadas partes do cérebro conseguiam se recordar de eventos passados, mas não tinham a mesma capacidade em relação a eventos recentes.

Conceitualmente, as memórias de curto prazo contam com um caráter operacional e são mobilizadas numa parte do cérebro denominada hipocampo. Por exemplo, quando fazemos uma operação matemática de soma e subtração, envolvendo três números, na qual somamos os dois primeiros e subtraímos o terceiro, para guardar o resultado da soma, de onde será subtraído o terceiro número, precisamos, operacionalmente, da memória de curto prazo.

Já as memórias de longo prazo são armazenadas no córtex cerebral, tendo um papel e dinâmica neurofisiológica diferente das memórias de curto prazo.

Uma hipótese que considero relevante consiste na idéia de que conceitos bem estudados, compreendidos e repetidos tendem a se estabelecer como memória de longo prazo. Já as informações de riqueza conceitual mais limitadas e muito específicas tendem a ficar armazenadas como memória de curto prazo, salvo no caso de um processo de repetição intensa.

E qual é a lógica desta compreensão? Teoricamente, no âmbito das ciências cognitivas, temos a modalidade de aprendizagem mecânica e de significados. A primeira consiste  na apropriação do objeto de estudo sem compreensão de sentido, ao passo que na segunda o conhecimento é apropriado com a compreensão do seu sentido e significado.

Dessa maneira, considero que há uma tendência de que as informações pobres conceitualmente, não passíveis de compreensão de sentido, contam com dificuldades para o armazenamento enquanto memória de longo prazo, salvo no caso de um contato intensamente reiterado. Já as informações ricas conceitualmente, que permitem a compreensão de significado, tendem a facilitar a sua apropriação intelectual  enquanto  memória de longo prazo.

Nestes termos, talvez o conceito e a compreensão lógica do sistema repartição de competências legislativas, inerente ao Direito Constitucional, seja tratada como memória de longo prazo, se bem compreendido. Já as matérias que, de maneira específica, se enquadram na competência legislativa privativa da União (Direito Penal, Direito Civil, Direito do Trabalho…), assim previstas no art. 22 da Constituição Federal, tendem a ser tratadas como memória de curto prazo. Da mesma forma, o conceito de ato administrativo, a diferença entre ato vinculado e discricionário, bem como as características do ato administrativo (presunção de legitimidade, imperatividade e ato-executoriedade), inerentes ao Direito Administrativo, tendem a ser tratadas como memórias de longo prazo, sendo que as várias modalidades de classificação dos atos administrativos, de caráter bem mais específico, tenderiam ao armazenamento como  memória de curto prazo.

Venho sustentado a hipótese de que informações pobres, em termos de elaboração e formulação, como por exemplo o prazo de recursos no Direito Processual, o número de Ministros de Tribunais Superiores e quoruns do processo legislativo, passíveis de classificação como informação típica de “decoreba”, deveriam ser trabalhadas como memória de curto prazo, vez que se trata de informações com limitações em termos de riqueza conceitual.

Assim sendo, diante das premissas estabelecidas, a questão que se coloca é: e como proceder na revisão estratégica?

A idéia é que se tenha duas preocupações. A primeira consiste na estruturação da revisão. A segunda seria a separação da informação típica de “decoreba”, a ser trabalhada como memória de curto prazo, daquelas de riqueza conceitual, a serem tratadas como memória de longo prazo.

Quanto à revisão, a primeira preocupação do candidato consiste na avaliação do tempo demandado e necessário até a data da prova do concurso público pretendido, de modo a rever todo o conteúdo.

Não preciso chamar a atenção para o fato de que o SISTEMA TUCTOR desenvolve esta estruturação de planejamento para o candidato, por meio da apresentação de estimativas de prazos, na conformidade dos inputs e dados informados pelo usuário. Mas ainda que o candidato não seja usuário do sistema, é preciso fazer a referida reflexão de maneira racional e cuidadosa.

A partir daí, na estruturação da revisão, a idéia é que se inicie com as matérias de menor relevância e termine com as de maior relevância. Ou seja, a idéia é que, por volta de dois dias antes da prova – e digo dois até por uma questão de margem de segurança, o candidato tenha estudado a última matéria tida por mais importante.

Vale lembrar que a importância da matéria pode decorrer de três aspectos concomitantes ou alternados, quais sejam potencial de quantidade de questões, pesos atribuídos a estas questões e complexidade das questões. Estas informações podem ser extraídas do edital, se este assim dispõe, das provas anteriores ou da natureza do cargo.

Outra questão relevante para a revisão estratégica consiste na seguinte: por onde estudar? Se o candidato fez resumos, esquemas ou mapas mentais, o ideal seria que esta seja a fonte de estudo, inclusive por uma questão de viabilidade e tempo. Se não desenvolveu as referidas atividades, outra alternativa seriam as anotações de aula, resumos de outros candidatos ou manuais e apostilas de caráter mais sintético. Vale lembrar que estamos falando de revisão. E mais no Tuctor também é possível verificar a viabilidade de cada opção.

No meu caso, perdi a conta de quantas vezes revisei os meus resumos antes de provas. E adotava exatamente a referida estratégia. Muitas informações, em função da repetição do contato, acabaram por se tornar memórias de longo prazo, as quais utilizo até hoje em sala de aula. Lembro precisamente dos elementos essenciais do negócio jurídico, das características do ato administrativo e das competências legislativas privativas da União, exatamente em função do que estava colocado nos meus resumos.

Em relação às matérias jurídicas, também é importante a realização da revisão acompanhada da lei seca, o que acaba por minimizar o problema daquele candidato que desenvolve um estudo predominantemente doutrinário, colaborando, assim, com o a realização de provas objetivas dos concursos públicos, as quais acabam por cobrar a literalidade do texto legal ou constitucional.

Outra preocupação relevante para a revisão estratégica seria separar informações de caráter tipicamente “decoreba”, as quais não dispõe de riqueza conceitual-explicativa, daquelas que contam com maior riqueza conceitual, que não precisariam da mobilização das memórias de curto prazo. A idéia seria dar uma atenção às primeiras nas revisões de véspera, exatamente com a intenção da mobilização da memória de curto prazo.

Eu tive uma aluna que passou no concurso de Procurador Federal e um dia antes havia feito uma leitura com a intenção de decorar, naquela ocasião, dispositivos da legislação de ensino, matéria que seria passível de cobrança na prova, o acabou por ocorrer. Ela acertou todas as questões sobre o tema, mas dois ou três dias depois já não se lembrava daquela informação. O seja, o preferido processo de apropriação intelectual envolveu a mobilização de memórias de curto prazo.

Portanto, é preciso agir de forma estratégica e eficiente, de modo a buscar resultados. Isto significa, de maneira resumida, compreender as possibilidades de memória que podemos trabalhar, entender as possibilidades de modelos de aprendizagem que podem ser adotados e identificar se o conhecimento objeto de estudo conta com riqueza conceitual ou envolve formulação de natureza limitada.

Neste sentido, as ponderações apresentadas contam com duas finalidades principais: propor uma reflexão sobre este relevante tema, determinante para o alcance de resultados, principalmente em provas objetivas, e apresentar caminhos que possam ser adotados. Não tenho qualquer pretensão de titularidade do monopólio da verdade absoluta. A intenção  fundamental consiste na provocação de reflexões e busca de alternativas que otimizem esforços e colaborem com a conquista da aprovação.

Espero que encontre soluções otimizadoras, faça uma revisão estratégica e eficiente e realize uma boa prova!

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Estudo Estratégico e Sistematizado (2ª Lição da Teoria Geral do Tuctor)

Doutrina x Lei Seca – Parte II

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3 Comentários

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  1. LUCIA ROSCIO 26 de agosto de 2010 em 18:03 #

    EXCELENTE AS DICAS DA ESTRATÉGIA DE ÚLTIMA HORA! SEMPRE É UM PROBLEMA QUANDO SE ESTÁ ÀS VÉSPERAS DE UMA PROVA,PRINCIPALMENTE, NO MEU CASO, A OBJETIVA. TENHO MUITOS ANOS DE ADVOCACIA E HÁ UNS 3 ANOS VENHO TENTANDO (ENTRE SÓ ESTUDO, ESTUDO E TRABALHO E SÓ TRABALHO RSS) PREPARAR-ME PARA A MAGISTRATURA.

    A PROVA OBJETIVA É MEU CALCANHAR DE AQUILES: SEMPRE ENCONTRO MAIS DE UMA QUESTÃO CERTA, JUSTO POR TER ADVOGADO TANTOS ANOS E ACHAR O FIM DA PARANÓIA TER QUE DECORAR CÓDIGOS E CÓDIGOS, COMO SE FOSSE A COISA MAIS NATURAL DO MUNDO. SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO: DURMO EM CIMA DOS CÓDIGOS…

    AGORA, ESTOU TENTANDO TAMBÉM CONCURSOS DE ANALISTA, ASSESSOR E SIMILARES, PARA QUE POSSA TER UM POUCO MAIS DE TRANQUILIDADE, QUERO DIZER, ESTABILIDADE, PARA ME DEDICAR AOS ESTUDOS PARA A MAGISTRATURA FEDERAL. NÃO SEI SE ESTOU CORRETA, MAS É A MINHA NOVA ESTRATÉGIA, BEM RECENTE,ALIÁS, ACONSELHADA POR AMIGOS.

    PARABÉNS, ROGÉRIO, PELO SEU TEXTO COM FOCO TÃO BEM POSICIONADO.
    UM ABRAÇO.

    LUCIA ROSCIO

  2. Rômulo de Barros 27 de agosto de 2010 em 13:32 #

    Professor Rogério Neiva,

    Qual seria o papel dos exercícios na preparação, considerando sua influência na memória e na compreensão dos temas, bem como sua localização na estratégia de estudos?

    Parabéns pelo artigo, mais um grande texto pra nós.

  3. Terezinha de Jesus David Ribeiro 28 de agosto de 2010 em 17:10 #

    Professor, agradeço todo o material, e estou realmente estudando na parte da tarde e com certeza serei aprovada em algum concurso, fico confiante que algum concurso alcançarei o objetivo… esse dia virá …porque estou fazendo a minha parte … estudo todos os dias.

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