COMO FAZER UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA DO EDITAL DO CONCURSO PÚBLICO
Logo após a publicação do edital do concurso público para Analista da Receita Federal, o que ocorreu no segundo semestre de 2009, fui procurado pelo Portal G1, em função de uma matéria que se pretendia escrever sobre o mencionado certame. Mas havia um desafio colocado: o de apresentar considerações e dicas que fossem além daquelas informações básicas e elementares normalmente colocadas para os candidatos. A partir desta provocação, comecei a desenvolver o que denominei de “uma análise estratégica do edital”, tendo tal exercício me inspirado a elaborar o presente texto. Portanto, a intenção deste post é provocar o leitor ter esta mesma compreensão em relação a qualquer concurso que venha a prestar. Porém, adotarei como modelo o caso do concurso de Analista da Receita Federal, objeto da análise mencionada.
A primeira preocupação que deve ter o candidato consiste na compreensão estratégica e tática da preparação para o concurso. Os aspectos estratégicos se inserem no plano decisório, envolvendo elementos como a definição de objetivo e programa, o qual correspondente ao conjunto de matérias e conteúdos que devam ser estudados pelo candidato. Já os aspectos táticos estão no plano da implementação do planejamento estratégico, envolvendo elementos como o levantamento do tempo disponibilizado, a montagem da grade de matérias e as técnicas e fontes de estudo a serem adotadas.
A partir destas premissas, o candidato deve procurar desenvolver uma compreensão estratégica do edital. No caso específico do concurso de Analista da Receita Federal, a primeira atitude consiste na compreensão de que restariam quase dois meses até a data da prova. A partir desta noção, o candidato deve avaliar o quantitativo de horas disponíveis por semana até o mencionado momento final da preparação.
Assim, é possível a estruturação de três modalidades de planejamento: um voltado à revisão do programa; outro voltado ao suprimento de deficiências em relação aos conteúdos de domínio limitado ou inexistente; por fim, haveria ainda uma terceira possibilidade, de modo a contemplar os dois objetivos de maneira conjugada.
Naturalmente, que a referida definição se encontra no plano estratégico-decisório. Tal decisão pressupõe a avaliação de variáveis como o tempo disponível até a prova e a trajetória de preparação realizada até o momento. Para o candidato que já esgotou o conteúdo programático e dispõe de 30 horas por semana, seria lógico e racional a montagem de um planejamento de revisão, podendo ainda contar com o suprimento de pontos deficientes. Já o candidato que esgotou parte do programa e dispõe de 10 horas por semana, talvez seria mais racional e eficiente focar, de maneira exclusiva, nas matérias e conteúdos necessários ao esgotamento do programa.
Estabelecido este primeiro objetivo, o candidato deve procurar organizar o seu plano de estudos. Neste sentido, deveria definir as matérias e conteúdos a serem estudados, bem como as fontes correspondentes. Podemos tomar como fontes o estudo bibliográfico, envolvendo apostilas e livros – de caráter mais analítico ou sintético, os exercícios, a legislação seca e as aulas (presenciais ou web).
Tais definições, ou seja, o objetivo do planejamento, estabelecido no âmbito estratégico-decisório, e as fontes de estudos, no âmbito do plano tático, devem ser analisadas de forma sistêmica. Por exemplo, se o candidato pretende fazer uma revisão e suprir limitações de conteúdos apenas por livros analíticos, os quais contem com uma grande quantidade de páginas e demandem um tempo por páginas significativo, dificilmente conseguirá concluir seu plano.
Para a definição das fontes de estudos inerentes a cada matéria, desenvolvendo uma análise estratégica e racional de o edital, o candidato deve considerar, com bastante cuidado e atenção, aspectos como a importância das matérias. Este nível de importância será determinado pela quantidade de questões e pelo peso atribuído às questões. Assim, considerando o edital de Analista da Receita Federal, constata-se o seguinte:
- Português, Constitucional/Administrativo, Tributário/Previdenciário permitem o alcance, isoladamente, de até 40 pontos e exigem, também isoladamente, no mínimo 16 pontos;
- Raciocínio Lógico, Contabilidade Geral, Direito/Comércio Internacional, AFO e Administração Geral permitem o alcance, isoladamente, de até 20 pontos e exigem, também isoladamente, no mínimo 08 pontos;
- Língua Estrangeira permite o alcance de até 10 pontos e exige mínimo 04 pontos.
Considerando as referidas constatações, o candidato deve primeiramente apurar, em relação a cada matéria, se estudou o conteúdo, de forma total ou parcial, bem como deve avaliar o domínio do conteúdo eventualmente estudado. Os conteúdos que o candidato estudou e domina não podem ser tratados da mesma forma que os conteúdos que sequer foram estudados.
Diante das mencionadas compreensões, além da definição do que será estudado, o candidato precisa estabelecer as fontes de estudo voltadas a cada matéria, ou seja, se irá desenvolver seus estudos por meio de livros, apostilas, exercícios, lei seca ou aulas. Cada fonte de estudo tende a demandar determinado tempo e proporcionar determinado nível de eficiência de aprendizagem e disponibilidade da informação, sob uma lógica de custo-benefício. Isto é, geralmente, a eficiência da apropriação do conteúdo tende a ser proporcional ao tempo demandado.
Dessa maneira, conforme sustento no meu livro (Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional, Ed Atlas), manuais sintéticos demandam um tempo menor e tendem a proporcionar uma aprendizagem de menor eficiência, ao passo que manuais mais analíticos demandam um tempo maior e tendem a proporcionar uma aprendizagem mais eficiente. No entanto, no caso específico de Analista da Receita Federal, talvez não seja viável a adoção de manuais de caráter analítico.
O candidato também deve estar atento para as matérias passíveis de cobrança na prova dissertativa. No caso, estas correspondem a Constitucional, Administrativo, Tributário, Previdenciário, Direito e Comércio Internacional e Administração. Esta preocupação se traduz na necessidade de que o candidato tenha conteúdo e domínio da matéria, dispondo da capacidade de construção de fundamentos para o enfrentamento da questão.
Por fim, além de todas as atitudes apontadas, é preciso refletir e avaliar a viabilidade da execução do plano de estudos estabelecido. O candidato precisa ter a noção clara das condições de concluir o seu planejamento da preparação. Neste sentido, o Sistema TUCTOR, ao contar com mecanismo de mensuração de estimativa de conclusão do plano de estudos, mostra a viabilidade ou não da sua conclusão, conforme as condições estabelecidas pelo candidato.
Com isto, tendo a compreensão estratégica e tática da preparação e implementando o seu planejamento, você estará adotando atitudes fundamentais que irão colaborar com a visualização do seu nome na lista de aprovados.
Bons estudos e sucesso!!!
ROGERIO NEIVA
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Muito bom Dr. Sempre leio essas suas postagens aqui, são de grande valia. Abraço!
Legal o texto, realmente.
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