Como Montar Sua Grade de Estudos Para Concursos

Você já sabe como montar a sua grade de estudos? Pois bem, o objetivo deste post consiste na abordagem de alguns conceitos relevantes para a estruturação, de forma estratégica, eficiente e racional, desta parte fundamental do planejamento da preparação para o concurso.

Muitos candidatos não têm a menor idéia de como estruturar uma grade de estudos de forma adequada, exatamente por não disporem de critérios que racionalizem este processo. A montagem adequada da grade de estudos é determinante para a eficiência da execução do plano de estudos e para a aprendizagem ao longo da preparação.

A estruturação desta etapa do planejamento deve seguir alguns passos fundamentais.

O primeiro consiste no levantamento do tempo que será disponibilizado aos estudos. Ou seja, o candidato, de forma muito sincera, deve responder à seguinte pergunta: quantas horas e quais as horas das minhas semanas, nos próximos meses, eu irei investir na busca de um objetivo que irá me proporcionar resultados por toda a minha vida? Com isto, o primeiro passo envolve o levantamento da grade de horários. É fundamental compreender que este levantamento deve ser encarado como um compromisso, de modo que os momentos nos quais o candidato acha que pode, eventualmente, abrir sua fonte de estudos e dar uma olhada, não deve ser considerado na grade de horários.

Além deste levantamento, o candidato também precisa apurar o nível de disposição intelectual e física em cada momento, isto, é, em cada janela da sua grade de horários. Imaginando que determinado candidato tenha na sua grade a segunda-feira pela manhã e a sexta-feira no período noturno inseridos, provavelmente terá um nível de disposição intelectual e física mais limitado na sexta-feira, pois estará com o desgaste da semana acumulado.

Após o levantamento da grade de horários e do nível de disposição em cada janela, o passo seguinte corresponde ao levantamento e ao agrupamento das matérias. Na realidade, esta parte do planejamento, conforme a proposta metodológica que venho sugerindo e sustentando, vem antes da montagem da grade de estudos, vez que consiste no segundo passo da estruturação do planejamento da preparação, pois deve ser realizado na definição de programa. Apenas para relembrar, programa consiste no conjunto de matérias e conteúdos que devem ser estudados pelo candidato.

Levantada a grade de horários, bem como organizadas e agrupadas as matérias, o passo seguinte consiste na alocação das matérias na grade. De modo a contribuir com a busca de eficiência e racionalidade neste processo decisório, conforme desenvolvo no meu livro (“Concursos Públicos e Exames Oficiais: Preparação Estratégica, Eficiente e Racional”, Ed Atlas), estabeleci dois critérios de alocação, sendo um primário e outro secundário.

O critério primário conjuga a importância e/ou a dificuldade da matéria com o nível de disposição intelectual e física de cada janela. Vale lembrar que a importância da matéria pode decorrer de três critérios, presentes de forma cumulada ou alternada, quais sejam: peso atribuído às questões (informação extraída do edital), quantidade de questões e complexidade das questões.

Assim, segundo a lógica do critério primário, as matérias mais importantes serão alocadas nas janelas de maior disposição intelectual e física, sendo que as matérias de menor importância serão alocadas nas janelas de menor disposição intelectual e física. Ainda conforme o critério primário, da mesma maneira, as matérias de maior dificuldade serão alocadas nas janelas de maior disposição intelectual e física, ao passo que as matérias de menor dificuldade são alocadas nas janelas de menor disposição intelectual e física.

Ao adotar tal atitude, o candidato estará buscando eficiência no processo de implementação de esforço no âmbito da preparação para o concurso. E dessa maneira, estará subvertendo a lógica do Princípio de Pareto, segundo o qual geralmente 80% dos esforços se convertem em 20% de resultados, buscando fazer com que 100% dos seus esforços, ao empregá-los de forma otimizada, se convertam em 100% de resultados.

Feita a alocação pelo critério primário, passa-se a alocar as matérias remanescentes pelo critério secundário, o qual envolve uma lógica de alternância. Ou seja, a alocação de tais matérias será realizada de forma alternada, considerando o grupo (de matérias) no qual foi enquadrada. Assim, por exemplo, se o candidato chamou Direito Material Público de grupo 1 e estudou na segunda-feira pela manhã Direito Constitucional (grupo 1), não deve alocar na segunda-feira a noite, que seria a sua janela seguinte, Direito Administrativo (também grupo 1). Isto é, deveria alocar uma matéria de outro grupo.

Ao adotar tal atitude, o candidato está montando um planejamento que assegure um desgaste menor, ante a alternância de matérias, bem como contribuindo com o processo de aprendizagem, pois proporciona uma pluralidade de estímulos cerebrais maior. Cabe lembrar que um conceito importante para as ciências cognitivas consiste na idéia da plasticidade cerebral, segundo a qual o nosso cérebro trabalha sob uma lógica de que quanto mais é exigido, mais conta com capacidade para dar respostas. Nestes termos, os candidatos que observam a sistemática apresentada estão se preparando conforme o sentido do mencionado conceito cognitivo.

Cabe lembrar que o sistema TUCTOR conta com uma funcionalidade denominada Grade Horária Inteligente, a qual viabiliza eletronicamente a realização de todos este trabalho, indicando, conforme as variáveis do planejamento inseridas no sistema pelo usuário, o caminho da montagem da grade de estudos forma estratégica, eficiente e racional.

Mas o fundamental é que o candidato procure estabelecer uma grade de maneira adequada, a qual contribua com a execução otimizada do planejamento da preparação e lhe ajude a alcançar o resultado da visualização do seu nome na lista de aprovados.

Bons estudos e sucesso!!!

ROGERIO NEIVA

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